Eleições: a derrota anterior. Por Ricardo Queiroz Pinheiro*

Novas pesquisas mostram que a disputa será acirrada e há desgaste no governo. Editoriais fazem alarde. Porém, o mais revelador é o sentimento de derrotismo que sondagens provocam na esquerda, onde a ansiedade ocupa o lugar de análise…

Em Outras Palavras

Uma pesquisa de segundo turno feita em abril mede um estado de ânimo. Não mede outubro, urna e voto real. A distinção parece óbvia, mas aparentemente não é, porque a cada sondagem que sai a cena se repete com precisão cômica: a imprensa fabula a desistência de Lula, converte Haddad em substituto e decreta o esgotamento de uma candidatura que ainda não começou de fato. A esquerda entra em colapso existencial — descabela-se, antecipa a derrota, age como se o processo eleitoral tivesse sido encerrado por uma amostra de dois mil entrevistados em abril.

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Privilégios, desigualdade e pobreza na cidade de São Paulo. Por Antonio Prado*

Exame do Mapa da Desigualdade revela: território não é apenas cenário da desigualdade, mas uma de suas engrenagens centrais. Financeirização do solo e acesso desigual às infraestruturas são motores da segregação. Mas Estado tem instrumentos para capturar a mais-valia urbana

Em Outras Palavras

São Paulo costuma ser descrita como a capital econômica do país, centro financeiro continental, metrópole de oportunidades. A formulação é correta, mas insuficiente. Ela não explica como essa riqueza se organiza no território, nem como a cidade converte crescimento em proteção para alguns e risco para outros. A desigualdade paulistana não é apenas diferença de renda. Ela assume forma espacial. Está inscrita na geografia dos distritos, na distribuição dos equipamentos públicos, na valorização imobiliária, na mobilidade cotidiana e, de maneira mais profunda, na diferença de tempo de vida.

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Orçamento do SUS nas cidades: há equilíbrio possível?

Municípios são o elo fraco da corrente: com apenas 18% da fatia tributária nacional, bancam a maior parte do sistema de saúde. Lógica sufoca municípios pequenos e dificulta o planejamento – além de bloquear planos e soluções propostas pela participação popular

Por Glauco Faria, em Outra Saúde

Na ponta do Sistema Único de Saúde (SUS), os municípios brasileiros enfrentam um problema de financiamento duplo. Por um lado, as imperfeições do pacto federativo impõem às prefeituras o maior peso do financiamento, forçando muitas cidades a gastarem bem mais do que o piso constitucional para manter postos e hospitais abertos. De outro, do ponto de vista local, há uma espécie de “divórcio” burocrático e cultural entre as secretarias de Saúde e de Finanças, que cria um abismo onde muitas vezes o planejamento sanitário não encontra respaldo no orçamento real.

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“Há uma tendência à ‘israelização’ das democracias liberais”. Entrevista com Francesca Albanese

IHU

Francesca Albanese é alvo de uma campanha implacável de assédio devido ao seu trabalho como Relatora Especial da ONU sobre a situação dos palestinos nos territórios ocupados. Nesta entrevista, ela discute os crimes da ocupação israelense, os protestos pró-Palestina e a “israelização” das democracias liberais.

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A ONU nomeou o crime. Quem vai pagar a conta?

A Assembleia Geral das Nações Unidas reconheceu o tráfico transatlântico como o maior crime contra a humanidade. Para o Brasil, país que recebeu mais africanos escravizados do que qualquer outro no mundo, a decisão exige uma resposta muito além do discurso diplomático

Por Fernanda Alcântara*, da Página do MST

Recentemente, uma votação do plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas levantou um debate importante com a resolução que, em termos de significado histórico, poucos documentos diplomáticos do século XXI conseguiram alcançar. Por 123 votos a favor, três contrários e 52 abstenções, o órgão máximo da ONU aprovou o texto apresentado por Gana, em nome da União Africana, que eleva o tráfico transatlântico de africanos escravizados à condição de “o crime mais grave contra a humanidade” já cometido. 

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Jovens das águas conquistam ensino superior e renovam esperança nas barrancas do Rio São Francisco

Com histórias de luta e resistência, 9 jovens de comunidades pesqueiras compartilham suas trajetórias até a universidade, impulsionadas por projeto do CPP/MG-ES que fortalece educação, saúde mental e identidade

Por Henrique Cavalheiro/CPP

Às margens do rio São Francisco, onde a vida pulsa entre as águas e os territórios de resistência, uma nova travessia começa a ser escrita. Nove jovens de comunidades tradicionais pesqueiras, quilombolas e vazanteiras conquistaram o acesso ao ensino superior entre 2023 e 2025, resultado de um processo coletivo de cuidado, formação e construção de projetos de vida impulsionado pelo Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras (CPP), regional Minas Gerais e Espírito Santo, e pelo apoio financeiro das Irmãs da Divina Providência.

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Judiciário do TO ataca Reforma Agrária e emite reintegração de posse de assentamento formalizado, em Marianópolis

No mês dos 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás, o Poder Judiciário ignora a criação do assentamento Beatriz Bandeira pelo INCRA e ameaça 88 famílias e o cinturão agroecológico da APA Cantão

Por Nadson Ayres, da Página do MST

O cenário da Reforma Agrária no Tocantins atingiu um nível de absurdo jurídico insustentável. No mês em que o Brasil recorda com dor os 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás, símbolo máximo da violência contra o povo do campo, a 1ª Vara Cível de Paraíso do Tocantins expediu o Mandado nº 17773430, determinando a imediata reintegração de posse da Fazenda São Bento, localizada no município de Marianópolis.

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Uma reforma inacabada

Lei da Reforma Psiquiátrica completa 25 anos em meio a um cenário contraditório: retomada de ações estatais para expansão da rede de atenção psicossocial no SUS convive com repasse de recursos públicos para entidades que pesquisadores e militantes vêm chamando de “manicômios modernos”: as comunidades terapêuticas

André Antunes – EPSJV/Fiocruz

“Estive hoje num campo de concentração nazista. Em lugar nenhum do mundo presenciei uma tragédia como essa”. O psiquiatra italiano Franco Basaglia, referência mundial da luta contra os manicômios, resumiu assim sua visita ao Hospital Colônia de Barbacena (MG), em 1979. Conhecida apenas por “Colônia”, a instituição se tornou o grande símbolo dos horrores da assistência psiquiátrica no país. Entre seus muros, 60 mil brasileiros ¬– homens, mulheres e crianças, a maioria internada à força – perderam suas vidas entre 1930 e 1980, vítimas da fome, do frio, das doenças que se proliferavam em meio às péssimas condições de higiene e dos métodos cruéis de “tratamento” da época, como o eletrochoque. Uma tragédia retratada no livro Holocausto Brasileiro (Editora Intrínseca), da jornalista Daniela Arbex.

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No Mato Grosso do Sul, Funai realiza georreferenciamento da Terra Indígena Ofaié Xavante

Na Funai

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) realizou o georreferenciamento, como parte da demarcação física da Terra Indígena (TI) Ofaié Xavante, dos povos Ofaié e Guarani-Kaiowá, localizada no município de Brasilândia, em Mato Grosso do Sul (MS). A ação foi realizada no período de 23 de fevereiro a 6 de março, com utilização de drone para ações de aerolevantamento e mapeamento da área, o que alçou a Funai a um novo patamar tecnológico nas ações fundiárias.

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Luxo, bebidas, lista vip e after em Floripa: bets ostentam poder durante evento em SP

Na semana em que Lula defendeu o fechamento do setor, feira reuniu executivos, influenciadores e políticos

Por Rafael Oliveira, Rafael Custódio, Isabel Seta | Edição: Mariama Correia, Agência Pública

“Se depender de mim, a gente fecha as bets”. Enquanto o presidente Lula declarava, em entrevista ao ICL, sua contrariedade com a “jogatina desenfreada” em um “país religioso como o Brasil”, a algumas centenas de quilômetros, em São Paulo, milhares de representantes do setor estavam reunidos na versão sul-americana da maior conferência de jogos online e apostas do mundo – um evento com clima de festa e muito dinheiro envolvido.

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