Na oposição, eles se dizem antissistema. No poder, investem contra as maiorias. Artifício para transitar entre os dois pontos: produzir divisão entre os de baixo, escolhendo alvos como as feministas, os indígenas, os dissidentes de gênero e os muito empobrecidos
Por Reinaldo Dias*, em Outras Palavras
O relatório global de 2025 e 2026 da Anistia Internacional descreve um processo de desintegração dos direitos humanos em diferentes partes do mundo. Nos Estados Unidos, o segundo governo de Donald Trump converteu essa tendência em programa explícito ao intensificar a perseguição aos imigrantes, eliminar políticas federais de diversidade e restringir mecanismos de proteção de grupos historicamente discriminados. Na Europa, partidos de extrema-direita ampliam sua influência sobre as políticas migratórias e os direitos das mulheres e da população LGBTQIA+. No Brasil, o fim do governo de Jair Bolsonaro não encerrou o bolsonarismo, que preserva força parlamentar e capacidade para impor propostas contrárias aos direitos sociais, territoriais e civis.
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