Para a população da Comunidade Quilombola Forte Príncipe da Beira, em Rondônia, que resistiu ao abandono da Coroa Portuguesa e à pressão do Exército Brasileiro, uma reserva ambiental, criada pelo governo estadual em 2018, representa um obstáculo crítico no caminho para a titulação definitiva, esperada para ser decretada pelo governo Lula ainda neste ano de 2026
Por Nicoly Ambrosio, da Amazônia Real
Manaus (AM) – Nucicleide da Paz Pinheiro sabe com exatidão onde está a fronteira que divide a sua vida em dois. Do lado de dentro, estão as casas, as vilas e o chão que sua família pisa há gerações. Do lado de fora, ainda dentro do território que a Comunidade Quilombola Forte Príncipe da Beira, localizada no Vale do Guaporé (RO), reivindica, ficam os castanhais, as roças e os lagos. Tudo isso agora pertence, no papel, a uma reserva ambiental criada sem que nenhum dos quilombolas fosse consultado – o que significa uma violação de direitos aos povos tradicionais da Amazônia.
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