O que falta para completar a virada

Risco de retrocesso político e civilizatório levou multidões às ruas. Mas convencer as maiorias exige de Lula um projeto de futuro. Um compromisso que ligue a defesa da democracia com a transformação material que a sociedade reclama

Por Gustavo Vilas Boas*, em Outras Palavras

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos; Lula, com 45,16%. A distância de aproximadamente 2,22 milhões de votos é suficientemente pequena para manter a disputa aberta e suficientemente concreta para exigir uma mudança de rumo. Outros 33,47 milhões de eleitores não compareceram às urnas. Não constituem uma reserva automática de nenhuma candidatura, mas lembram que o resultado ainda pode mudar. A questão decisiva, entretanto, ultrapassa a aritmética: Lula conseguirá apresentar uma razão para o futuro que seja mais forte do que o desejo de encerrar seu ciclo?

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Vira-voto: O outro que também sou em tempos de polarização

Reflexões sobre o corpo-a-corpo nas ruas: pertencimento, empatia, disposição para cuidar e tolerância. O que as comunidades dos fandoms ensinam. E como Clarice Lispector uniu duas experiências e sentimentos que parecem, ao primeiro olhar, incompatíveis

Por Estéfany Rocha Monteiro*, em Outras Palavras

Em maio de 1962, José Miranda Rosa, conhecido como Mineirinho, estava entre os homens mais procurados pela polícia do Rio de Janeiro. Acumulava assaltos, confrontos com policiais e fugas da prisão e do Manicômio Judiciário, onde cumpriria uma pena superior a cem anos. Mais de trezentos homens participaram da operação que terminou na madrugada de 1º de maio, quando seu corpo foi encontrado com treze marcas de tiros. No mês seguinte, a revista Senhor publicou a crônica que havia encomendado a Clarice Lispector sobre o caso.

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Lula e a necessária aposta nas periferias

O voto no presidente caiu nas comunidades urbanas, onde vivem 8% da população brasileira. 2º turno é a chance de renovar o pacto de confiança com os mais pobres. Um caminho: anunciar ciclo de investimentos nos territórios, com política integrada de direito à cidade

Por Ion de Andrade*, em Outras Palavras

Com cerca de 17 milhões de habitantes — uma população maior que a do estado da Bahia —, as periferias brasileiras constituem uma extraordinária janela de oportunidades para o segundo turno. 

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Dia Mundial da Alimentação: a soberania está nas sementes!

“O alimento é sagrado”, reza a sabedoria popular. Assim como é sagrado o cuidado com as sementes. Nesse Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, exaltamos as sementes que guardam a vida, bem como as mulheres que guardam as sementes

Por Júlia Barbosa, em CPT

É sabido das comunidades tradicionais e camponesas que não há soberania alimentar sem a soberania das sementes, e por isso se dedica tanto zelo e tanta resistência à tradição das guardiãs e guardiões das sementes crioulas. “A semente crioula traz a garantia de um amanhã, de um futuro com alimento sadio”, assim ensina a agricultora e guardiã Miguelina de Oliveira, da Comunidade São Manoel do Pari, no Mato Grosso. E é esse o amanhã que o agronegócio pretende usurpar com suas sementes transgênicas e seus frutos estéreis.

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Carta das pastorais, organismos e articulações nacionais: “Votemos pela vida digna de todos os irmãos e irmãs e da mãe Terra”

CPT

Mais de 30 entidades católicas, como pastorais, organismos e articulações eclesiais nacionais, representando diversas populações e segmentos da sociedade brasileira, publicaram um posicionamento conjunto neste momento do 2º turno das Eleições.

Em um dos trechos, a Carta afirma: “temos de escolher um lado: o fortalecimento ou o desmonte! Votemos pela vida digna de todos os irmãos e irmãs e da mãe Terra, inspirados na Boa nova de Cristo Jesus!”


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Memória e justiça: quatro décadas após os massacres no campo gaúcho, sobreviventes rompem o silêncio

Seminário em Viamão resgatam histórico emblemáticos da luta pela terra nos anos 1980 e expõe a omissão do Estado diante de crimes ainda impunes

Por Cláudia Pereira, em CPT

Correr de um avião quando se é criança não deveria ser um gesto de sobrevivência, mas para Marta Aparecida Serpa foi. Ela recordou  quando correu com medo das asas de metal que sobrevoaram o acampamento de Salto do Jacuí, no interior do Rio Grande do Sul, espalhando uma nuvem invisível e asfixiante de veneno sobre a terra, as lonas e as pessoas. Quase quatro décadas depois, nas dependências do Instituto de Educação Josué de Castro, no Assentamento Filhos de Sepé, em Viamão, Marta, hoje professora e assentada, faz memória. Olhou para trás e percebeu que nunca havia conseguido sentar com os próprios filhos, hoje com mais de 30 anos, para narrar os detalhes daquele terror.

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Manaus sufoca com o ar mais tóxico do mundo

A fumaça dos incêndios florestais atinge limites de poluição perigoso e insalubre para a saúde humana. A cidade amanheceu sob uma densa névoa que elevou a poluição ao índice de 693 AQI+, superando níveis críticos internacionais como o de Singapura (222 AQI+). A concentração de material particulado (MP2.5) atingiu 592 µg/m³, o que equivale a cerca de 40 vezes o limite diário de segurança recomendado pela OMS. A Fiocruz recomenda que a população permaneça em casa com portas e janelas fechadas. A Polícia Federal, a Abin e o Ibama investigam indícios da ação “dia do fogo”, na qual criminosos se articulam via WhatsApp para incendiar a floresta. O Ministério do Meio Ambiente informou que suspeitos já foram identificados e que as prisões devem ocorrer em breve

Por Kátia Brasil, Nicoly Ambrosio e Elaíze Farias, da Amazônia Real

Manaus (AM) –  O sol não apareceu nesta manhã de sábado (17), em Manaus. O céu escuro, encoberto pela névoa de fumaça, deixou a população sufocada, respirando ar perigoso, o pior do mundo. Animais domésticos e silvestres agonizam, sofrem com a fumaça ou morrem queimados. É uma situação recorrente em razão do aumento indiscriminado das queimadas e dos incêndios florestais no Amazonas.

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Banco Mundial apoia hidrelétricas de alto risco

As empresas privadas e o governo não consideraram os problemas ecológicos e sociais com suficiente profundidade, como o fenômeno climático El Niño, que tem causado as mais severas secas e diminuído o nível e o volume das águas, impedindo que essas hidrelétricas mantenham sua geração. Mas também impactando pessoas e a fauna, que dependem do rio para a sua sobrevivência

Por Lúcio Flávio Pinto, da Amazônia Real

A pior enchente da história do Nepal motivou a sociedade civil internacional a pedir ao Banco Mundial que suspenda o financiamento de projetos hidrelétricos “de alto risco”. O banco realiza sua reunião anual em Bangcoc nesta semana. Por alto risco, 122 organizações da sociedade civil de 38 países entendem tratar-se de grandes usinas hidrelétricas “em vales montanhosos vulneráveis”, após o desastre das enchentes no Nepal em agosto.

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O sequestro da esfera pública. Por Eugenio Bucci

No A Terra é Redonda

O domínio de corporações tecnológicas estrangeiras sobre as redes sociais impõe uma ameaça silenciosa à democracia, transformando o debate político em refém de algoritmos opacos e interesses bilionários

1.

Dizem que somos uma “sociedade interconectada”. O que isso significa? No mais das vezes, significa que o progresso nas comunicações teria melhorado a nossa vida. Falamos uns com os outros por meio das plataformas digitais, na maior simplicidade. As cartas de amor não existem mais, e até os e-mails começam a ficar antiquados: hoje tudo se resolve pelo WhatsApp, com frases efêmeras, áudios anódinos e emojis redondos.

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Master: Em mensagens, Vorcaro declarou lado sem margem para dúvida: “apoiamos a direita”

Banqueiro preso no escândalo do Banco Master tinha entre contatos Flávio Bolsonaro e Nikolas, a quem disse ter ajudado

Por Jéssica Ribeiro, na Agência Pública

Há um mês, uma pesquisa do instituto Datafolha mostrou que mais entrevistados acreditavam que o escândalo do Banco Master envolvia mais políticos de esquerda (34%) do que de direita (27%). Naquele retrato da opinião nacional, divulgado em 18 de setembro, havia ainda 13% do velho “tá todo mundo envolvido”. A dúvida não parece ser a mesma quando quem fala é o próprio dono do Master, Daniel Vorcaro, ao trocar mensagens com um amigo pessoal: “apoiamos a direita”, escreveu o banqueiro em conversas de WhatsApp interceptadas pela Polícia Federal (PF) às quais a Agência Pública teve acesso.

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