Reservas brasileiras de materiais estratégicos são vastas. Mas, atraído pelo lucro fácil, setor privado já entrega a riqueza em estado bruto – e o governo está imóvel. Só uma decisão política, tomada a partir de mobilização social, evitará o saque
Por Antonio Carlos F. Galvão*, em Outras Palavras
O país do futuro
No imaginário retratado por Stefan Zweig no livro “Brasil, um país do futuro” (1941), publicado em meio à Segunda Guerra Mundial, o Brasil surgia como um contraponto à barbárie que devastava a Europa. O escritor austríaco destacava, em uma época em que o país dava seus primeiros passos rumo à modernidade ocidental, aquilo que considerava o traço distintivo da identidade nacional: o “espírito de conciliação” do povo, a harmonia entre pessoas de diferentes origens e a “(…) convivência pacífica (…), apesar da diversidade de raças, classes, cores, religiões e convicções”. Décadas depois, ao prefaciar a obra em 2006, o jornalista Alberto Dines especulava de forma provocadora: “Zweig errou ou foi o Brasil que escolheu o modelo errado?”
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