Portão estourado, luzes acesas: uma história de tortura no Rio Grande do Sul

Família registra marcas de tortura no corpo da vítima, reúne provas e testemunhas e pressiona polícia por respostas

Por Marina Amaral | Edição: Bruno Fonseca, Agência Pública

Os últimos gritos que os vizinhos ouviram foram de Guilherme Moisés de Jesus chamando pela mãe. O quarto filho de Sandra Helena não costumava sair muito de casa e, segundo eles, não foi diferente naquele dia.

“Ele era meu protetor”, diz a mãe. Aos 26 anos, o rapaz que trabalhava como segurança e “chapa”, fazendo a carga e descarga de caminhões, estava desempregado. Desde o dia anterior estava capinando o pátio – como os gaúchos chamam o quintal – e passava bastante tempo no computador. A mãe conta que ele vivia rodeado dos sobrinhos e era bem próximo da família. 

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Da ditadura à democracia, tortura segue praticada e falta punição

Das corporações policiais aos juízes, violência extrema de agentes do Estado é mais tolerada do que combatida

Por Marina Amaral, Tatiana Merlino | Edição: Bruno Fonseca, em Agência Pública

É uma noite de sexta-feira. Dia 28 de agosto de 2020. Um dia comum de trabalho para o motoboy André Mezzette. De moto, ele havia feito uma entrega de pizza em um bairro da Zona Norte de São Paulo, conta à reportagem. Logo depois, ele estaciona em uma rua para uma breve pausa. Um homem, também de moto, se aproxima e começa a encará-lo.

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CPT acompanha quatro comunidades em conflitos por terra em Iranduba/AM

Por Ana Virgínia (Coordenação Colegiada da CPT Regional Amazonas) e Manuel do Carmo (Pastoral da Terra da Arquidiocese de Manaus e Dep. de Comunicação da CPT Regional Amazonas), em CPT

Uma equipe de agentes da CPT Regional Amazonas esteve presente, no último dia 21 de março, junto a quatro comunidades rurais no município de Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus. As visitas tiveram como objetivos escutar os desafios das comunidades em relação aos conflitos por terra que enfrentam, e fortalecer a luta por políticas públicas de regularização fundiária e garantia de direitos.

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Documentário registra a potência das vozes e da organização das Mulheres do Cerrado a partir do projeto Gênero e Biodiversidade

Contra a violência do latifúndio e do patriarcado, as mulheres cerradeiras plantam a vida e o esperançar em seus quintais

Por Júlia Barbosa, da CPT

Há uma sabedoria popular que corre os rios e rega com abundância a terra do Cerrado: “Mulheres são como as águas: crescem quando se juntam”. No último ano, mulheres cerradeiras do Piauí, Tocantins e Goiás se juntaram em suas resistências em defesa de seus corpos e de seus territórios, a partir do projeto ‘Gênero e Biodiversidade: Falas das Mulheres do Cerrado’. Os registros, repletos do esperançar que confronta realidades violentas, resultaram em um potente curta-documentário, que a CPT lança hoje, ao final de março, mês marcado pelo Dia Internacional da Mulher.

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Terrabrás – uma estatal para a soberania

Avança, inclusive com apoio de governadores, cobiça de transnacionais dos EUA sobre riqueza mineral brasileira. Há uma alternativa, já elaborada: um Projeto de Lei para uma estatal moderna que garantiria interesses do país, protegendo seus recursos

Por Arthur Oscar Guimarães e Flávio Cruvinel Brandão, em Outras Palavras

Recentemente publicamos o artigo “TERRABRAS – uma estatal necessária”[1]. O título fala por si. Nesse novo texto trazemos ao debate da sociedade brasileira um Projeto de Lei de criação dessa empresa estatal, que denominamos no artigo original, de 11.02.2026, como “TERRABRAS – Terras Raras Brasileiras S.A.”

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Sistema Socioeducativo: ruim com ele, pior sem ele

Constituição trouxe avanços no tratamento de jovens em conflito com a lei. Está longe do ideal: unidades de internação registram desrespeito aos seus direitos e outras injustiças. Mas solução não é reduzir maioridade penal – que os submeteria a ainda mais violência

Por Deivisson Santos, Luciana De Carvalho Rocha e Sabrina Stefanello*, em Outra Saúde

Há pouco tempo, a redução da maioridade penal era o foco de discussão na Câmara dos Deputados. O tema é amplamente defendido pelo bolsonarismo e uma das bandeiras principais do candidato à presidência Flavio Bolsonaro. A proposta, que é recorrente como solução para o aumento do envolvimento de jovens em situações em conflito com a lei, estava na PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança que foi sancionada essa semana. Em fevereiro, o governo conseguiu retirar o texto que aborda a redução da maioridade penal da PEC. Apesar desta retirada, a matéria será tratada em separado, em uma comissão especial do congresso ainda neste semestre.

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“O fascismo prospera nas contradições do liberalismo”. Entrevista com Richard Seymour

IHU

Leitores que apreciam analisar eventos atuais em tempo real podem não ter tempo para se aprofundar em Nacionalismo do Desastre: O Colapso da Civilização Liberal, publicado em espanhol pela Verso em 2026. O livro de Richard Seymour (Ballymena, Irlanda do Norte, 1977) foi originalmente publicado em inglês pouco antes do segundo mandato de Donald Trump na Casa Branca. No entanto, apesar dessa ligeira desconexão com as notícias mais recentes, o ensaio de Seymour não perdeu nada de seu valor. Pelo contrário, lido com a perspectiva de 2026, Nacionalismo do Desastre se mostra ainda mais perspicaz em sua análise.

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Semana dos Povos Indígenas 2026: Território e Moradia – Onde moram os teus irmãos?

Confira o material especial da Semana dos Povos Indígenas 2026, cujo tema é “Território e Moradia: Onde moram os teus irmãos?”

Cimi

Seguindo o tema da Campanha da Fraternidade deste ano, “Fraternidade e Moradia”, e o lema, “Ele veio morar entre nós”, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) propõe, nesta Quaresma, algumas perguntas incômodas que, para além das análises políticas, exigem vigilância e respostas pastorais. Antes de tudo, apropriamo-nos da pergunta “Onde mora teus irmãos?” e a transformamos para “Onde moram nossos irmãos?”.

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‘Não há dignidade de nada’: Em Cuba, bloqueio dos EUA e apagões pioram vida de mulheres

Na ilha, mulheres passam fome e ficam anos sem acesso a absorventes; embargos aumentaram com governo Trump

Por Augusta Lunardi, Julia Sena | Edição: Bruno Fonseca, Agência Pública

Conheci Lala Valdés, 46 anos, e suas duas filhas, Naomi e Danischa Valdés, de 24 e 14, enquanto buscava ouvir mulheres sobre dignidade menstrual nas ruas de Havana, capital de Cuba, neste final de março. Quando mencionei o termo, Valdés franziu a testa. Nunca tinha ouvido essa expressão, nem parado para pensar que ela pudesse existir. Respondeu de imediato, com a firmeza de quem aprendeu a nomear a própria realidade: “Aqui não há dignidade de nada. De comida, de luz, de moradia. Não há dignidade de vida. Como vai ter dignidade menstrual?”

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Os crimes da ditadura. Por Carlos Marighella*

Em 1º de abril de 1964 foi instaurada no Brasil uma ditadura através de um golpe militar. Um ano depois, Carlos Marighella escreveu o livro “Por que resisti à prisão”, onde detalha a horripilante repressão contra trabalhadores, camponeses, estudantes, artistas, cientistas e intelectuais promovida pelo terror ditatorial.

Na Jacobin

A ditadura instaurada no Brasil pelo golpe militar de 1º de abril criou para o nosso povo uma situação de pesados sacrifícios, que vão desde a entrega e a submissão do país aos Estados Unidos até à supressão brutal das liberdades com a subsequente implantação do terror político e ideológico e o desencadeamento de perseguição em massa.

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