O texto de Daniel nos convida a discernir duas realidades: o poder econômico, político, cultural ou religioso que exige submissão, concentra privilégios e transforma pessoas em descartáveis, e o Reino de Deus, que fortalece comunidades, desperta o protagonismo do povo, promove a corresponsabilidade e faz da fé um compromisso com a vida
Por Pe. Edinho Thomassim*, em CPT
Daniel e o discernimento das comunidades:
“As feras recebiam poder… Mas veio alguém semelhante a um Filho do Homem” (Daniel 7,6.13).
“Sabeis que os chefes das nações as dominam… Entre vós não deverá ser assim” (Mateus 20,25-26).
O livro do profeta Daniel, proposto para o mês da Bíblia deste ano, nasceu em um dos momentos mais difíceis da história do povo de Deus. Lembrando a violência dos impérios, a perseguição religiosa e a perda de direitos, a comunidade perguntava: quem governa a história? A resposta de Daniel não anuncia o fim do mundo, mas revela que nenhum império possui a última palavra. As “feras” simbolizam todo poder que se absolutiza e desumaniza (Dn 7,6-14); Jesus de Nazaré manifesta o projeto de Deus, que devolve dignidade ao seu povo e inaugura um reino de justiça e paz (Mt 20,25-28).
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