O povo Ashaninka, que habita o Peru e o Brasil, enfrenta uma pressão que não respeita linhas no mapa. Do lado peruano, concessões florestais e estradas de madeireiras cercam os territórios e o narcotráfico tenta se instalar onde o Estado custa a chegar. Do lado brasileiro, a Funai, responsável por 28 Terras Indígenas no Acre, opera sem servidores efetivos em Marechal Thaumaturgo, o município onde vivem os Ashaninka do lado brasileiro. A Justiça Federal reconheceu o abandono desse povo e deu 180 dias para que a União apresente um plano de proteção. O rio Amônia, que nasce no país vizinho e atravessa o território nacional, ainda está vivo. Por quanto tempo, ninguém sabe
Por Hellen Lirtêz, em Amazônia Real
TI Kampa do Rio Amônia (AC) – Nas cabeceiras do rio Amônia, no Acre, na fronteira entre o Peru e o Brasil, a floresta ainda parece intacta quando observada do alto. Mas no interior da Terra Indígena (TI) Kampa do rio Amônia, a paisagem já começou a mudar. Estradas de extração de madeira e consórcios industriais avançam do lado peruano e cercam comunidades localizadas entre os rios Amônia, Shahuaya, Tamaya e Yurúa (nome dado ao rio Juruá em território peruano). A principal via desse avanço é a Trocha UC-105, uma rodovia precária na região de Ucayali que conecta as localidades de Nueva Italia e Puerto Breu. As máquinas já chegaram a menos de 10 quilômetros de distância da aldeia Apiwtxa. O impacto dessa malha rodoviária, mapeado pela Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (Opirj), já alcança 23.829 quilômetros quadrados de subbacias hidrográficas nas cabeceiras, um território maior que o Estado de Sergipe.
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