Um povo, dois países, uma mesma ameaça

O povo Ashaninka, que habita o Peru e o Brasil, enfrenta uma pressão que não respeita linhas no mapa. Do lado peruano, concessões florestais e estradas de madeireiras cercam os territórios e o narcotráfico tenta se instalar onde o Estado custa a chegar. Do lado brasileiro, a Funai, responsável por 28 Terras Indígenas no Acre, opera sem servidores efetivos em Marechal Thaumaturgo, o município onde vivem os Ashaninka do lado brasileiro. A Justiça Federal reconheceu o abandono desse povo e deu 180 dias para que a União apresente um plano de proteção. O rio Amônia, que nasce no país vizinho e atravessa o território nacional, ainda está vivo. Por quanto tempo, ninguém sabe

Por Hellen Lirtêz, em Amazônia Real

TI Kampa do Rio Amônia (AC) – Nas cabeceiras do rio Amônia, no Acre, na fronteira entre o Peru e o Brasil, a floresta ainda parece intacta quando observada do alto. Mas no interior da Terra Indígena (TI) Kampa do rio Amônia, a paisagem já começou a mudar. Estradas de extração de madeira e consórcios industriais avançam do lado peruano e cercam comunidades localizadas entre os rios Amônia, Shahuaya, Tamaya e Yurúa (nome dado ao rio Juruá em território peruano). A principal via desse avanço é a Trocha UC-105, uma rodovia precária na região de Ucayali que conecta as localidades de Nueva Italia e Puerto Breu. As máquinas já chegaram a menos de 10 quilômetros de distância da aldeia Apiwtxa. O impacto dessa malha rodoviária, mapeado pela Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (Opirj), já alcança 23.829 quilômetros quadrados de subbacias hidrográficas nas cabeceiras, um território maior que o Estado de Sergipe.

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Uma convocação à luta pelo SUS do amanhã

2ª Conferência Nacional Livre, Democrática e Popular de Saúde, organizada pela Frente pela Vida, acontecerá em 7 de agosto. Em ano de eleições críticas para o futuro do país, participação popular para pensar os rumos do sistema público de saúde é fundamental

Por Túlio Batista Franco, em Outra Saúde

Este ano de 2026 estamos diante de mais uma eleição para presidente do Brasil. No regime presidencialista, isto significa definir as políticas que serão implementadas nos próximos quatro anos, tempo de vigência do mandato presidencial. É tempo de escolhas. Ao fazê-las, precisamos nos perguntar: para onde vamos? Ou melhor, para onde queremos ir?

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Apartheid climático e a urgência de um novo internacionalismo. Entrevista com Sandro Mezzadra

IHU

Sandro Mezzadra dedicou as últimas duas décadas a cartografar uma mutação ainda em curso — e o faz com o rigor de um geógrafo do poder e a urgência de quem sabe que mapas nunca são neutros.

Professor de teoria política na Universidade de Bolonha e cofundador do coletivo Euronomade, é um dos pensadores marxistas mais incisivos da tradição italiana contemporânea. Ao lado de Brett Neilson, assinou em  Border as Method (Duke University Press, 2013) a obra que deslocou a fronteira da condição de objeto para a de método — de linha no mapa a dispositivo de produção de subjetividades e hierarquias.

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Para escapar da razão eurocêntrica e suas ciladas

Pensador ecossocialista mexicano sustenta: lógica dominante na Modernidade comanda, além da produção econômica, a do próprio conhecimento. A ruptura precisa construir um saber ambiental, cujo esboço está presente em vozes do Sul

Enrique Leff em entrevista a Thiago Gama, em Outras Palavras

Enrique Leff chegou à ecologia pela porta da engenharia química — e essa inversão de rota, longe de ser acidente biográfico, é a chave de toda a sua obra. Nascido na Cidade do México em 1946, formou-se pela Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) em 1968 — o mesmo ano em que estudantes de três continentes sacudiam as instituições com uma vitalidade que as gerações anteriores preferiam não compreender.

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América Latina: tempos de “Deus, pátria e porrada”

A ultradireita avança na região. Vitória de la Espriella na Colômbia expõe um novo projeto: “guerra espiritual” contra a política, para esvaziar a democracia – e defesa da “ordem”, para eliminação radical de direitos. As ruas serão mais decisivas que nunca

Por Luís Delcides, em Outras Palavras

A América Latina acaba de dar um passo perigoso. As vitórias de Keiko Fujimori, no Peru e de Abelardo de la Espriella, na Colômbia, não são meras alternâncias de poder — são a consolidação de uma onda conservadora que traveste autoritarismo de promessa de ordem e disfarça intolerância de fé. E o pior: fazem isso com a bênção das igrejas e o aplauso dos quartéis. 

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Caso Master e a era dos parasitas. Por Ladislau Dowbor

Uma fraude do financismo veio à tona, e revelou as relações corruptas do rentismo. Muito mais grave é o que ainda não causa escândalo — dos juros altíssimos à privatização da infraestrutura e emissão de dinheiro para sustentar guerra. Como parar a máquina?

Por Ladislau Dowbor, em Outras Palavras

“Simplesmente os interesses dos muito ricos

não são os mesmos que os interesses da nação.”
(George Monbiot, The Guardian)

O escândalo do Banco Master anima muito o debate. Em ano eleitoral, tentar colar a etiqueta de corrupto no opositor político faz parte do tiroteio, em particular porque, para as pessoas desinformadas, a etiqueta permite substituir a informação e o raciocínio. Ao longo da minha vida de economista, me dei conta de que quando gritam “pega ladrão” em geral vale a pena olhar para quem está gritando. No caso presente, é evidente que, quando um governo combate a corrupção, ela vem à tona, porque é revelada, enquanto o governo corrupto que a gerou e tolerou fez o tema sumir do mapa.

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Do Brasil à Gaeta: Documentário sobre luta dos Sem Terra é exibido em província na Itália

Produzido por grupo de italianos o documentário “Baturitè – O Movimento Sem Terra do Brasil” testemunha experiência vivida em assentamentos do MST, que reivindicam o direito à terra

Por La Bussola | Itália, em MST

Após 20 anos do lançamento da produção do documentário “Baturitè – O Movimento Sem Terra do Brasil” de Giorgio Anastasio, Pierluigi Vecchio, Gemma Ciccone e Ivan Rossini, no último dia 20 de junho, a Casa del Popolo di Gaeta (LT), La Casamatta, organizou uma projeção especial com os autores para testemunhar a experiência vivida nos assentamentos brasileiros, organizados pelo movimento que reivindica o direito à terra por quem nela vive e trabalha: o MST.

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MPF investiga Suape após denúncia de mutação genética de cavalos-marinhos ameaçados de extinção

Procedimento administrativo do MPF foi instaurado em razão de denúncia que aponta mutações e risco de extinção de cavalos-marinhos na área de influência de Suape

por Marília Parente, em Diário de Pernambuco

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um procedimento administrativo para investigar mutações genéticas registradas em cavalos-marinhos da espécie hippocampus reiddi que vivem na área de influência do Complexo Industrial Portuário Governador Eraldo Gueiros (Suape).

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Primeiro trilhão de Elon Musk evidencia capitalismo extremo e distópico. Entrevista especial com João Magalhães

Pesquisador analisa o poder da extrema-direita nas redes digitais à luz da atuação do seu líder informal e de cenários políticos de instabilidade, estagnação e frustração social

Por Patricia Fachin, em IHU

As oscilações na fortuna de Elon Musk nos últimos dias são um exemplo de como funciona o mercado financeiro. Num curto intervalo, o sul-africano, naturalizado canadense e estadunidense, passou de bilionário a trilionário e a bilionário novamente. A expectativa é de que recupere o status de primeiro trilionário da história no início do próximo mês, segundo estimativas da Bloomberg, empresa de mídia e dados financeiros que atualiza diariamente as informações sobre o patrimônio dos ultrarricos.

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MIR fortalece parceria com comunidades quilombolas de Sapê do Norte na construção da reparação coletiva do Acordo do Rio Doce

Atuação conjunta entre Governo do Brasil e lideranças locais amplia participação comunitária e fortalece caminhos para a reparação dos territórios atingidos

No MIR

O Ministério da Igualdade Racial (MIR), no âmbito do Novo Acordo do Rio Doce, homologado em outubro de 2024, vem consolidando uma agenda permanente de diálogo com as comunidades quilombolas reconhecidas no Anexo 3, a exemplo das 33 comunidades quilombolas do Sapê do Norte, território que fica nos municípios de Conceição da Barra e São Mateus (ES). A iniciativa integra os esforços do Governo do Brasil para garantir que as medidas de reparação destinadas às comunidades atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão sejam construídas com ampla participação social, respeito às especificidades territoriais e aos protocolos de consulta das comunidades que os possuíam. 

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