No último texto desta série, os autores alertam que não é necessário apenas criar novas áreas protegidas para o sauim-de-coleira, mas também melhorar a gestão das existentes, especialmente na zona urbana. Eles dizem que ‘a conservação do sauim-de-coleira depende de uma melhor compreensão da necessidade de aumentar a área destinada à sua proteção e de uma boa gestão dentro e ao redor dessas áreas’.
Por Ana Luisa Albernaz, Marcelo Cordeiro Thalês, Marcelo Gordo, Diogo Lagroteria, Tainara V. Sobroza, William E. Magnusson, Philip M. Fearnside, Leandro Jerusalinsky, Renata Bocorny de Azevedo, Rodrigo Baia Castro, Dayse Campista, Wilson Roberto Spironello e Maurício Noronha, em Amazônia Real
Discussão
Nossa análise revelou que cerca de um terço da zona urbana é coberta por algum tipo de proteção formal. No entanto, também revelou que quase todas as áreas protegidas se enquadram em categorias de proteção parcial e que algumas dessas categorias sofreram uma perda significativa de vegetação, entre outros impactos. O aeroporto de Manaus, por exemplo, com todo o seu ruído e asfalto, está localizado em uma Área de Proteção Ambiental (APA), o que demonstra o baixo nível de proteção em algumas áreas formalmente protegidas. Embora os sauins-de-coleira possam se comunicar e viver em áreas ruidosas [1, 2], o impacto potencial dessa atividade humana no bem-estar a longo prazo e no sucesso reprodutivo das espécies não é claro. Em algumas situações extremas, como a do aeroporto, seria difícil reverter a situação, mas em outras partes da mesma área protegida (APA Tarumã/Ponta Negra), bem como em outras áreas já protegidas dentro da zona urbana, a recuperação da vegetação deve ser promovida para aumentar o habitat disponível para a fauna e a flora locais, incluindo o sauim-de-coleira. Além disso, é crucial tomar medidas para proteger os 20% de áreas verdes restantes dentro da área urbana que atualmente não estão formalmente protegidas, preferencialmente em categorias de uso mais restritivo.
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