Por Reinaldo Dias, no EcoDebate
Observar cavalos correndo livres pelos campos conduz, quase inevitavelmente, à ideia de liberdade. Foi essa associação imediata que me ocorreu ao ter contato, anos atrás, com imagens dos cavalos de Roraima vivendo soltos no Lavrado. A partir dali, busquei informações sobre a situação desses animais, o que resultou em um texto publicado em 2017 sobre a especificidade dos cavalos conhecidos como lavradeiros. Desde então, continuei acompanhando o tema e, com preocupação, constatei o agravamento da situação dos exemplares que ainda permanecem em vida livre.
Este artigo retoma essa questão com um objetivo claro. Chamar atenção para a necessidade de proteger os cavalos selvagens de Roraima como um patrimônio vivo do país, ligado à savana amazônica em que se formaram ao longo de mais de dois séculos. Mais do que discutir sua caracterização genética ou seu eventual aproveitamento como raça doméstica, importa defender a permanência desses animais em liberdade e a criação de mecanismos efetivos de proteção nos diferentes níveis de governo. Trata-se de preservar uma população singular de cavalos e, com ela, uma expressão rara da história ecológica e territorial brasileira.
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