Na Baixada Maranhense, a paciência de 26 anos pela regularização da Reserva Extrativista Enseada da Mata custa vidas, floresta e água. Sob a liderança de dona Nice, de 72 anos, quebradeiros de coco babaçu e quilombolas enfrentam o avanço de cercas elétricas, agrotóxicos e a invasão de búfalos que destroem os babaçuais. Diante da promessa do governo federal de atualizar os estudos só em 2027, as guardiãs do território resistem a um cerco que ameaça a própria sobrevivência
Por Maíra Soares, em Amazônia Real
Penalva (MA) – O caminho até o Galpão da Nice passa por lagos que em maio ainda guardavam a cheia da estação chuvosa, entre palmeiras de babaçu que se erguem soltas na paisagem como se tivessem nascido ali por conta própria, o que, em boa parte, é verdade. Para chegar ao município de Penalva, o maior produtor de babaçu do Maranhão, a reportagem viajou de avião até São Luís, partindo de Imperatriz, e depois mais cinco horas de estrada até a Baixada Maranhense. A região, que compreende 21 municípios, é uma zona de transição que liga a Amazônia, o Cerrado e a Mata dos Cocais.
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