O método que sustenta o conflito mais antigo do Brasil

O Supremo Tribunal Federal já disse, mais de uma vez, que o marco temporal é incompatível com a Constituição Federal. Ainda assim, a tese continua voltando. Volta como lei, como pressão parlamentar, disputa procedimental, tentativa de “conciliação” entre direitos originários e interesses econômicos. Agora, volta também pelo plenário virtual do STF

Midori Hamada, Le Monde Diplomatique Brasil

O marco temporal é um método. Um método de transformar violência histórica em ausência de prova. De legalizar o roubo das terras indígenas, que sustenta um dos conflitos mais antigos do Brasil desde a invasão europeia. De converter expulsão em vazio. De fazer da demora do Estado uma culpa indígena. De deslocar o direito originário para dentro de um procedimento administrativo, e o procedimento para dentro de uma espera infinita.

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Encontro em Brasília pressiona por criação da Comissão Nacional Indígena da Verdade

Na luta por memória e reparação, lideranças de povos originários denunciam crimes do passado e continuidade da violência

Isegun Oliveira, Brasil de Fato

Lideranças indígenas de diferentes regiões do país defenderam na terça-feira (21), em Brasília, a criação de uma Comissão Nacional Indígena da Verdade e denunciaram que a violência contra os povos originários, praticada com especial crueldade durante a ditadura militar, permanece presente sob novas formas. O debate marcou a abertura do Encontro de Lideranças da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), que segue até quinta-feira (23) com representantes de organizações indígenas para discutir memória, justiça de transição e reparação histórica.

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Juventude Guarani Kaiowá e Nhandeva realiza XI Encontro da Retomada Aty Jovem tratando de saúde mental e proteção

A atividade reúne cerca de 600 participantes entre os dias 20 e 24 de julho, na Aldeia Pirajuí, em Paranhos, e busca constituição de uma rede

No Cimi

A juventude Guarani e Kaiowá e Nhandeva realiza, entre os dias 20 e 24 de julho de 2026, o XI Encontro da Retomada Aty Jovem (RAJ). A atividade acontece na Aldeia Pirajuí, no município de Paranhos (MS), e reúne aproximadamente 600 participantes de diversas aldeias de Mato Grosso do Sul, além de convidados dos estados do Paraná e de São Paulo.

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O povo contra as Big Food: Como setor alimentício impediu regulação de publicidade no país

Exigências de alertas sobre açúcar, gordura e sódio foram desidratadas, levadas aos STF e seguem sem efeito há 16 anos

Por Ed Wanderley, Guilherme Cavalcanti, João Peres, Thalita Pires, Rodrigo Oliveira, O Joio e O Trigo, na Agência Pública

Há 16 anos, a principal tentativa da Anvisa de impor alertas sanitários à propaganda de alimentos segue bloqueada por uma ofensiva judicial movida por entidades da indústria, da publicidade e dos meios de comunicação. Editada em 2010, a RDC 24 exigia advertências em anúncios de produtos com altos teores de açúcar, sódio e gorduras, mas nunca entrou em vigor.

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Por que a imagem de Jair Bolsonaro com evangélicos não cola em Flávio

Católico, Jair conseguiu ser visto como enviado de Deus, mas o filho sofre resistência dos evangélicos

Por Amanda Audi | Edição: Marina Amaral, em Agência Pública

Flávio Bolsonaro foi batizado quatro vezes na fé evangélica. Primeiro na juventude, na Igreja Batista Itacuruçá, no bairro da Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro. Em 2016, aos 35 anos, o então deputado estadual do Rio foi batizado novamente acompanhando o pai, Jair Bolsonaro, em um mergulho nas águas do rio Jordão, em Israel. Em 2024, ele e a esposa Fernanda foram batizados mais uma vez na Igreja Comunidade das Nações, em Brasília. Por fim, no início deste ano, o hoje pré-candidato à Presidência da República voltou ao rio Jordão para “renovar a aliança com Deus”.

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O mundo como refém: sequestros, assassinatos de Estado e a escalada rumo à guerra nuclear. Entrevista com Eden Pereira

IHU

Escrevendo do cárcere a que o fascismo o condenara, por volta de 1930, Antonio Gramsci fixou em poucas linhas a definição de crise que o século seguinte não conseguiu aposentar: “a crise consiste precisamente no fato de que o velho morre e o novo não pode nascer; neste interregno verificam-se os fenômenos mórbidos mais variados”. Raras épocas ofereceram à observação tanta matéria quanto esta. É no interior de um interregno assim, entre uma hegemonia que já não organiza o mundo e uma ordem que ainda não tem nome, que se situa a entrevista a seguir.

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Brasil, Trump e o preço da soberania

O novo tarifaço deve ser enfrentado com cautela pelo governo brasileiro. Mas é necessária uma postura sólida na defesa dos interesses nacionais. Como resposta, o Lula pode barrar a exploração de terras raras e taxar a remessa de lucros das big techs

Por Paulo Kliass*, em Outras Palavras

Passado mais de um ano desde o primeiro estardalhaço anunciado por Donald Trump no início de seu segundo mandato quanto à aplicação de tarifas para todo o mundo, a trajetória do Presidente estadunidense tem sido marcada pela inconsistência e por seguidos movimentos de avanços e recuos. Essa sequência de idas e vindas, de ameaças e encolhimentos, tem sido a marca desta gestão à frente da Casa Branca. Muitas analistas apontam para a existência de uma estratégia em tal conduta, não caindo na avaliação fácil de que tudo não passaria de trapalhadas, incompetência ou fragilidade. A cada novo desafio, ele avança bastante suas peças no tabuleiro logo de início e depois vai recuando ponto a ponto para tentar se estabelecer com alguma firmeza no jogo.

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O lulismo diante da crise das democracias liberais

Afirmar que o reformismo morno de parte da esquerda gera reação violenta das elites é apenas reconhecer a arena conflituosa da política. A frustração tem raízes econômicas: por que ainda insiste-se na conciliação com quem espolia o presente e hipoteca o futuro das maiorias?

Por Guilherme Backes*, em Outras Palavras

Os bons debates servem tanto para revermos nossas posições iniciais como para buscarmos melhor fundamentar nossas ideias. Confesso que, em se tratando de explicações para o fortalecimento da extrema direita no Brasil, tendo a ratificar minha posição inicial. Qual seja, que a ascensão do bolsonarismo deve-se menos à força reativa das elites políticas e econômicas do País do que ao fracasso do reformismo institucionalista dos governos petistas.

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Nota pública: “Em defesa da vida e da terra: apoio à retomada do acampamento Chaparral II e repúdio à violência no campo”

CPT

“Araguaína-TO, 21 de julho de 2026

Manifestamos nosso apoio ao grupo de famílias do Acampamento Chaparral II, situado na divisa dos municípios de Pau D’Arco e de Araguaína/TO, que retomaram áreas públicas da União, em território historicamente reivindicado por elas para a criação de assentamento da Reforma Agrária. Desde já repudiamos, com veemência, todo intento de violência empreendido contra essas famílias, seja por parte da força policial, seja por parte de fazendeiros, grileiros e ‘seguranças privados’.

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Indígenas do Mato Grosso cobram regularização e desintrusão de seus territórios tradicionais

Mobilização em Brasília e cartas endereçadas ao governo denunciam violência, cobram providências e a criação da Comissão Nacional Indígena da Verdade

Por Adi Spezia, do Cimi

Mais de 25 lideranças indígenas do Mato Grosso estiveram em Brasília entre os dias 6 e 10 de julho para cobrar do Estado brasileiro celeridade na regularização fundiária e na desintrusão de seus territórios tradicionais. Além das denúncias apresentadas pelas lideranças dos povos Apyãwa-Tapirapé, Manoki, Yudjá-Juruna, Paresi e Xerente do Araguaia, que estiveram na capital federal, outros povos encaminharam cartas e solicitações aos órgãos do Estado brasileiro, entre eles os Kanela do Araguaia, Xavante de Marãiwatsédé, Guarani de Cocalinho, Iny Karajá e Xatagacá.

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