O Supremo Tribunal Federal já disse, mais de uma vez, que o marco temporal é incompatível com a Constituição Federal. Ainda assim, a tese continua voltando. Volta como lei, como pressão parlamentar, disputa procedimental, tentativa de “conciliação” entre direitos originários e interesses econômicos. Agora, volta também pelo plenário virtual do STF
Midori Hamada, Le Monde Diplomatique Brasil
O marco temporal é um método. Um método de transformar violência histórica em ausência de prova. De legalizar o roubo das terras indígenas, que sustenta um dos conflitos mais antigos do Brasil desde a invasão europeia. De converter expulsão em vazio. De fazer da demora do Estado uma culpa indígena. De deslocar o direito originário para dentro de um procedimento administrativo, e o procedimento para dentro de uma espera infinita.
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