Em mais um caso de entrega de setor estratégico ao rentismo, modelo proposto ignora leis federais, exclui vasta parcela da população dos serviços e tem alto risco de fracasso financeiro. Como resultado, bem essencial transforma-se em mercadoria e estado pode herdar sistema sucateado
Por Adauto S. do Espírito Santo*, em Outras Palavras
O processo de privatização bilionário que promete universalizar a água e o esgoto para 224 municípios do Piauí está foi erguido sobre bases técnicas frágeis e projeções econômicas irrealistas. Uma análise detalhada dos documentos oficiais que embasaram a privatização revela um plano de saneamento que ignora leis federais, desconsidera estudos pré-existentes financiados com dinheiro público e adota premissas estatísticas indefensáveis. O resultado é uma proposta que superestima receitas, subestima custos e investimentos de longo prazo, e exclui centenas de milhares de pessoas do acesso aos serviços essenciais, configurando uma “falsa universalização” com alto risco de insucesso financeiro e operacional. As falhas apontadas por especialistas sugerem que, ao final dos 35 anos de concessão, o estado pode herdar um conjunto de sistemas sucateados, após pagar por uma expansão que não cobrirá toda a população. Continue lendo “Águas: a privatização no Piauí, bilionária e improvisada”