“Bancada das bets”: quem são os aliados das casas de apostas no Congresso Nacional

Sem unidade ou representação oficial, “bancada das bets” beneficia empresas do ramo usando bandeiras econômica e liberal

Por Caio de Freitas, Dyepeson Martins, Duda Sousa, Ed Wanderley, Maira Escardovelli, Thiago Domenici, Agência Pública

Em meio à guerra narrativa para a definição de “grupo terrorista” no projeto de lei conhecido como “PL Antifacção”, em 18 de novembro de 2025, dois discursos chamaram a atenção numa reunião horas antes da aprovação do texto. Naquele mesmo dia, enquanto o projeto mobilizava a atenção da imprensa, os deputados federais Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL), líderes de seus partidos na Câmara, levantavam coro contra outro projeto, o PL 5.473/25, de autoria de Renan Calheiros (MDB-AL), que propunha aumentar impostos sobre casas de apostas digitais, fintechs e bancos – o texto só foi aprovado duas semanas depois, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e, até o momento, não entrou na pauta de votação do plenário.

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Nova norma amplia presença dos povos tradicionais no PNAE e leva mais diversidade à alimentação escolar

Resolução do FNDE orienta chamada pública específica para indígenas, quilombolas e outros povos em todo o país, ampliando alimentos tradicionais, saúde e cultura nas escolas dos territórios

Ana Amélia Hamdan, do ISA

A participação dos povos indígenas, quilombolas e outros povos e comunidades tradicionais nas chamadas públicas do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) tem levado para os estudantes diversidade, cultura e saúde às cantinas com alimentos como biribá, bacaba, pequi, murici, açaí e peixe fresco. E agora, essa lista vai crescer.

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Moradores contestam liberação de poços profundos da Aegea/Corsan em Viamão (RS)

Após acordo sem escuta da comunidade, movimento prepara ações e consulta popular; prazo vai até 16 de julho

Por Marcela Brandes, Brasil de Fato

O Movimento em Defesa das Águas Claras se reuniu na sexta-feira (26) para definir os próximos passos da mobilização contra a instalação de poços profundos pela Aegea/Corsan no distrito de Águas Claras, zona rural de Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A mobilização ocorre após a homologação de um acordo entre o Ministério Público e a concessionária. Para os moradores, a comunidade foi excluída da construção dos termos.

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João Cândido: MPF recorre para aumentar indenização por declaração discriminatória da Marinha contra a Revolta da Chibata

Órgão aponta que valor anterior de R$ 200 mil é insuficiente diante da perseguição institucional e do racismo estrutural em torno da memória da Chibata

Procuradoria da República no Rio de Janeiro

O Ministério Público Federal (MPF) recorreu ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região para aumentar para R$ 5 milhões o valor da indenização por dano moral coletivo imposta à União por manifestações institucionais depreciativas da Marinha do Brasil contra João Cândido Felisberto e os demais integrantes da Revolta da Chibata de 1910. Na ação civil pública originária, a Justiça Federal condenou a União ao pagamento de R$ 200 mil e à obrigação de não utilizar termos degradantes contra os revoltosos.

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Um povo, dois países, uma mesma ameaça

O povo Ashaninka, que habita o Peru e o Brasil, enfrenta uma pressão que não respeita linhas no mapa. Do lado peruano, concessões florestais e estradas de madeireiras cercam os territórios e o narcotráfico tenta se instalar onde o Estado custa a chegar. Do lado brasileiro, a Funai, responsável por 28 Terras Indígenas no Acre, opera sem servidores efetivos em Marechal Thaumaturgo, o município onde vivem os Ashaninka do lado brasileiro. A Justiça Federal reconheceu o abandono desse povo e deu 180 dias para que a União apresente um plano de proteção. O rio Amônia, que nasce no país vizinho e atravessa o território nacional, ainda está vivo. Por quanto tempo, ninguém sabe

Por Hellen Lirtêz, em Amazônia Real

TI Kampa do Rio Amônia (AC) – Nas cabeceiras do rio Amônia, no Acre, na fronteira entre o Peru e o Brasil, a floresta ainda parece intacta quando observada do alto. Mas no interior da Terra Indígena (TI) Kampa do rio Amônia, a paisagem já começou a mudar. Estradas de extração de madeira e consórcios industriais avançam do lado peruano e cercam comunidades localizadas entre os rios Amônia, Shahuaya, Tamaya e Yurúa (nome dado ao rio Juruá em território peruano). A principal via desse avanço é a Trocha UC-105, uma rodovia precária na região de Ucayali que conecta as localidades de Nueva Italia e Puerto Breu. As máquinas já chegaram a menos de 10 quilômetros de distância da aldeia Apiwtxa. O impacto dessa malha rodoviária, mapeado pela Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (Opirj), já alcança 23.829 quilômetros quadrados de subbacias hidrográficas nas cabeceiras, um território maior que o Estado de Sergipe.

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Uma convocação à luta pelo SUS do amanhã

2ª Conferência Nacional Livre, Democrática e Popular de Saúde, organizada pela Frente pela Vida, acontecerá em 7 de agosto. Em ano de eleições críticas para o futuro do país, participação popular para pensar os rumos do sistema público de saúde é fundamental

Por Túlio Batista Franco, em Outra Saúde

Este ano de 2026 estamos diante de mais uma eleição para presidente do Brasil. No regime presidencialista, isto significa definir as políticas que serão implementadas nos próximos quatro anos, tempo de vigência do mandato presidencial. É tempo de escolhas. Ao fazê-las, precisamos nos perguntar: para onde vamos? Ou melhor, para onde queremos ir?

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Apartheid climático e a urgência de um novo internacionalismo. Entrevista com Sandro Mezzadra

IHU

Sandro Mezzadra dedicou as últimas duas décadas a cartografar uma mutação ainda em curso — e o faz com o rigor de um geógrafo do poder e a urgência de quem sabe que mapas nunca são neutros.

Professor de teoria política na Universidade de Bolonha e cofundador do coletivo Euronomade, é um dos pensadores marxistas mais incisivos da tradição italiana contemporânea. Ao lado de Brett Neilson, assinou em  Border as Method (Duke University Press, 2013) a obra que deslocou a fronteira da condição de objeto para a de método — de linha no mapa a dispositivo de produção de subjetividades e hierarquias.

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Para escapar da razão eurocêntrica e suas ciladas

Pensador ecossocialista mexicano sustenta: lógica dominante na Modernidade comanda, além da produção econômica, a do próprio conhecimento. A ruptura precisa construir um saber ambiental, cujo esboço está presente em vozes do Sul

Enrique Leff em entrevista a Thiago Gama, em Outras Palavras

Enrique Leff chegou à ecologia pela porta da engenharia química — e essa inversão de rota, longe de ser acidente biográfico, é a chave de toda a sua obra. Nascido na Cidade do México em 1946, formou-se pela Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) em 1968 — o mesmo ano em que estudantes de três continentes sacudiam as instituições com uma vitalidade que as gerações anteriores preferiam não compreender.

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América Latina: tempos de “Deus, pátria e porrada”

A ultradireita avança na região. Vitória de la Espriella na Colômbia expõe um novo projeto: “guerra espiritual” contra a política, para esvaziar a democracia – e defesa da “ordem”, para eliminação radical de direitos. As ruas serão mais decisivas que nunca

Por Luís Delcides, em Outras Palavras

A América Latina acaba de dar um passo perigoso. As vitórias de Keiko Fujimori, no Peru e de Abelardo de la Espriella, na Colômbia, não são meras alternâncias de poder — são a consolidação de uma onda conservadora que traveste autoritarismo de promessa de ordem e disfarça intolerância de fé. E o pior: fazem isso com a bênção das igrejas e o aplauso dos quartéis. 

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Caso Master e a era dos parasitas. Por Ladislau Dowbor

Uma fraude do financismo veio à tona, e revelou as relações corruptas do rentismo. Muito mais grave é o que ainda não causa escândalo — dos juros altíssimos à privatização da infraestrutura e emissão de dinheiro para sustentar guerra. Como parar a máquina?

Por Ladislau Dowbor, em Outras Palavras

“Simplesmente os interesses dos muito ricos

não são os mesmos que os interesses da nação.”
(George Monbiot, The Guardian)

O escândalo do Banco Master anima muito o debate. Em ano eleitoral, tentar colar a etiqueta de corrupto no opositor político faz parte do tiroteio, em particular porque, para as pessoas desinformadas, a etiqueta permite substituir a informação e o raciocínio. Ao longo da minha vida de economista, me dei conta de que quando gritam “pega ladrão” em geral vale a pena olhar para quem está gritando. No caso presente, é evidente que, quando um governo combate a corrupção, ela vem à tona, porque é revelada, enquanto o governo corrupto que a gerou e tolerou fez o tema sumir do mapa.

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