Socióloga analisa os novos dispositivos médico-jurídicos para patologizar “desvios”. Critica determinismo biológico no discurso anti-identitário, inclusive na esquerda. E aponta: pessoas estão morrendo – reconhecimento não pode esperar a revolução
Berenice Bento em entrevista a Thiago Gama, em Outras Palavras
Em junho de 2018, a Organização Mundial da Saúde retirou a experiência trans do capítulo dos transtornos mentais e a transferiu para o das condições relativas à saúde sexual. Cinco anos antes, a Associação Americana de Psiquiatria havia substituído o “transtorno de identidade de gênero” pela “disforia de gênero”. Parecia o desfecho de meio século de tutela médica. Não foi. Os nomes mudaram; a engrenagem que decide quem é inteligível e quem não é seguiu de pé. E o argumento biológico voltou ao debate público brasileiro por uma porta que quase ninguém vigiava: a de parte da própria esquerda.
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