As últimas pesquisas mostram que o desgaste de Flávio Bolsonaro resistiu ao atrito de escândalos e confirma base consolidada. Poderia um herdeiro político sem o “carisma disruptivo” do pai mostrar-se ainda ajustável a grande mídia e empresariado?
Em Outras Palavras
Quando escrevi, em abril, que o perigo não estava na repetição de Bolsonaro, mas em sua capacidade de adaptação, tratava-se de uma hipótese sobre um processo que ainda se anunciava mais do que se mostrava e que dependeria do tempo da campanha para adquirir materialidade. Esse teste veio de forma particularmente dura. Foram precisamente os meses que separam aquele texto deste que acumularam sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro um volume de desgaste que, em outra configuração do eleitorado, provavelmente produziria uma queda mais profunda e duradoura. O áudio divulgado pelo Intercept, no qual o senador aparece solicitando recursos ao dono do Banco Master para financiar o filme sobre o pai, o rompimento público de Michelle Bolsonaro, em vídeos nos quais denunciou grosserias e seu afastamento das decisões, o tarifaço que se seguiu aos acenos a Washington, o constrangimento da visita de Milei ao Brasil para declarar apoio: tudo isso se concentrou num intervalo curto e se ofereceu ao noticiário como a crônica de uma derrocada anunciada. A derrocada, no entanto, não veio.
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