Genocídio substituirá Auschwitz, como símbolo máximo da barbárie. Em seu rastro, regimes liberais desmascaram-se, ao se perderam em repressão e racismo. Oxalá esta desconstrução possa, um dia, favorecer os palestinos e outra ordem mundial
Por Nancy Fraser, na New Left Review, em Outras Palavras
Os significados de Gaza continuam a se desdobrar. Relatórios eloquentes e bem documentados, como os da Relatora Especial da ONU para os Territórios Ocupados; obras cinematográficas aclamadas como A Voz de Hind Rajab (2025); poesias como Se Eu Tiver Que Morrer (2024), de Refaat Alareer; análises de historiadores palestinos como Rashid Khalidi e juristas como Rabea Eghbariah — todas essas peças e muitas outras abordaram a importância da investida em estilo terra arrasada de Israel, seus repetidos ataques a locais de distribuição de ajuda e “zonas seguras”, suas táticas de cerco e fome, seu deslocamento de milhões de palestinos para aqueles “desertos impensáveis de escombros, esgoto e corpos em decomposição” descritos pelo Relatora da ONU1.
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