O babalaô Ivanir dos Santos, referência na luta contra a intolerância religiosa no Brasil, conta sua trajetória: o internato, o assassinato da mãe, seu ativismo e vida acadêmica – e dos caminhos para o diálogo entre as religiões, que pessoas como Silas Malafaia tentam implodir
Por Thiago Gama*, em Outras Palavras
Ele nasceu onde o Rio de Janeiro decidiu fincar sua universidade mais combativa: a Favela do Esqueleto, chão que hoje abriga o campus da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) — suprema ironia. Filho de Sônia da Mauriti e de um mecânico baiano que se afastou da família, Ivanir dos Santos foi criado entre a casa da parteira Dona Abigail e os becos de uma cidade que, nos anos 1960, implementava a frio sua política de “higienização”. Tinha sete anos quando o Estado bateu à porta da família e o arrancou dos braços da mãe.
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