Pensamento cartesiano apartou humanidade da Natureza – e abriu caminho para a perseguição de mulheres portadoras de saberes ancestrais. Hoje, o neoextrativismo joga outras vidas na fogueira: a de povos originários. É crucial protegê-los, mas também ouvir o que têm a ensinar
Por Daniela Doms*, em Outras Palavras
A relação entre o ser humano e o mundo natural nem sempre foi marcada pelo distanciamento e pela exploração sistemática que caracteriza a sociedade contemporânea. Durante séculos, a humanidade compreendeu-se como parte integrante de um cosmos vivo, impregnado de significado e propósito, que em tudo possuía uma força, um poder oculto. A concepção animista da natureza embasava uma visão mágica do mundo. Os espaços naturais se entrelaçavam com a vida humana de maneira orgânica e sagrada; estabeleciam-se com as águas, rochas, animais, árvores, fungos, relações sociais holísticas fundadas na inseparabilidade matéria/espírito. A natureza tinha alma. Continue lendo “As bruxas do século XXI”










