Há um paradoxo no coração do eleitorado brasileiro. Às vésperas das eleições de outubro, a geração que mais sofre com o bloqueio das perspectivas de futuro é, simultaneamente, a que mais parece se deslocar em direção ao campo político que defende as políticas responsáveis por esse mesmo retrocesso. Poderá a esquerda reverter esse processo?
Por Felipe Amorim de Oliveira e Rafael Rodrigues da Costa, no Diplomatique Brasil
Entre 2002 e 2026, o Brasil viveu uma transformação estrutural em sua composição eleitoral (Gráfico 1). A queda da participação jovem e o crescimento do eleitorado idoso não são flutuações conjunturais: cada nova geração de eleitores jovens é numericamente menor que a anterior, e cada nova geração de idosos, maior. No médio prazo, essa inversão é irreversível.
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