Nota da Comissão Brasileira Justiça e Paz sobre as manifestações em Brasília

Por Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB

A Comissão Brasileira Justiça e Paz, organismo da CNBB, fiel ao compromisso histórico de defesa dos direitos humanos, bem como com as liberdades democráticas, manifesta o seu mais veemente protesto ante as violências e o vandalismo em Brasília, por ocasião das últimas manifestações realizadas.

Lembramos que o diálogo é o caminho próprio para dirimir dúvidas e construir os alicerces para o entendimento e a paz.

Da parte dos responsáveis pelo evento, assistimos ao cumprimento do acertado com as autoridades: um desfile pacífico de brasileiras e brasileiros, no sagrado direito de, nas ruas, reivindicarem a permanência de garantias asseguradas nas legislações previdenciária e trabalhista, as quais estão na iminência de serem revogadas, em razão de reformas que não atentam para a ética.

É sabido que em manifestações populares nas ruas, corre-se sempre o risco de elementos não identificados com as lideranças promotoras, praticarem atos de vandalismo, com objetivos escusos.

Era evidente a presença dos arruaceiros, circulando livremente, quando poderiam ter sido contidos pela polícia, em caráter preventivo.

É inaceitável que agentes policiais, de arma em punho, disparem tiros letais em meio à multidão, além de acionarem armas com balas de borracha e utilizarem gases sufocantes, pondo em risco a população ordeira que exercia o direito do protesto e da reivindicação, características intrínsecas à democracia e expressas na Constituição Federal.

A injustificável convocação das forças armadas, inclusive sem o prévio conhecimento do governo local, abala gravemente o federalismo. Sugere incompetência política e institucional.

É evidente que existe uma séria crise de gestão nos poderes da República, debatendo-se nela o Executivo Federal, sem atender aos anseios da população, o que resulta na penalização dos mais pobres, haja vista os recentes assassinatos de camponeses no Maranhão, no Mato Grosso e no Pará.

São crimes para os quais exigimos rápida apuração e consequente punição dos responsáveis.

A paz verdadeira tem como um dos seus elementos a prática da justiça.

Brasília, 26 de maio de 2017

Carlos Moura

Secretário Executivo

Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB

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