Nas sociedades contemporâneas, distintos arranjos produtivos podem funcionar. Os mercados têm seu papel. Mas Saúde, Educação, Conhecimento e tudo o indispensável para vidas dignas e proveitosas precisa estar em outra esfera. Somos seres humanos, não clientes
Por Ladislau Dowbor*, em Meer | Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras
Ronald Reagan proclamou que o Estado não é a solução, mas o problema.
Com Margaret Thatcher, abriu-se caminho para o desmantelamento
do Estado de bem-estar social, que mantinha um equilíbrio razoável
entre os interesses públicos e privados.
Com Trump, a situação atingiu dimensões absurdas.
Simplificar as complexas questões de organização em uma
sociedade funcional, e principalmente oferecer à população um alvo para culpar,
certamente funciona em termos políticos. Mas a questão não é encontrar culpados,
e sim organizar a sinergia entre os atores econômicos e políticos.
Não existe uma solução única para todos na complexa sociedade moderna.
Ladislau Dowbor
A necessidade de mudanças drásticas na disciplina econômica nunca foi tão urgente.
A humanidade enfrenta crises existenciais, com a saúde do planeta
e os desafios ambientais tornando-se grandes preocupações. 1
Jayati Ghosh
Uma abordagem prática consiste em analisar como diferentes áreas de atividade podem se apoiar mutuamente. Como consultor da ONU, organizei iniciativas de desenvolvimento em diversos países, principalmente pobres, e constatei que era prático demonstrar como diferentes áreas de atividade poderiam funcionar melhor se se reforçassem umas às outras. É possível apoiar a produção agrícola, mas isso também exige infraestrutura. A produção estaria na esfera privada, cada agricultor é dono de sua parcela de terra, regulamentada pelos mercados, mas a infraestrutura, como estradas ou energia, exigiria planejamento e financiamento públicos. Organizar a sinergia entre as diferentes áreas, em vez de procurar culpados, é claramente o caminho a seguir.
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