por Tiago Versalles*, no MZ
A humanidade não é apenas ecocida, ela é biofóbica. Essas duas características estão intimamente relacionadas. Assim como a homofobia é a repulsa ao que foge à norma heteropatriarcal, a biofobia é um mix irracional de nojo e medo da biodiversidade. O biofóbico sofre de um pânico diante da umidade da floresta, da inofensiva barata (e se ela voar, pior ainda), da raiz que racha a calçada, do rio que cheira a rio (e não a piscina) e dos animais silvestres que atravessam o seu quintal para voltar para a segurança daquilo que resta da floresta. Onde existe vida no seu estado mais puro e natural, a pessoa biofóbica enxerga, com seus olhos preconceituosos, algo primitivo, sujo e pecaminoso que deve ser execrado da existência.
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