Tramita no Congresso e em muitos municípios, proposta de “superar” a escola. Há 150 mil alunos nesta condição. Por que ela tolhe a diversidade, o debate de ideias e o encontro com o outro, abrindo portas para a personalidade autoritária
Por Fernando Henrique Ferreira*, em Outras Palavras
Tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei 3262/19, que pretende alterar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB/96) para legalizar o ensino domiciliar (o homeschooling) no Brasil. A proposta ainda não foi votada, mas seus efeitos já se fazem sentir. Congressistas de Estados e municípios aproveitam-se do debate para ganhar notoriedade em suas bases ideológicas, adiantando-se ao Congresso ao tentar aprovar legislações próprias para regulamentar a prática. Verifica-se uma onda de debates sobre o assunto nos níveis municipal, estadual e federal acompanhada de desinformações envoltas em discursos pautados na política do medo. Nesse cenário, avança a adesão ao homeschooling. Segundo dados da Associação Nacional de Educação Domiciliar (ANED), o país já soma 75 mil famílias e 150 mil estudantes nessa condição, um número que cresce ano após ano, impulsionado pelo avanço dos discursos conservadores nas redes sociais.
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