Virada eleitoral é possível, ainda que árdua e difícil. Mas a ilusão de que a esquerda pode governar sem projeto de longo prazo, sem disputas com os poderosos e sem mobilização popular – esta precisa ficar para trás
Por Antonio Martins, em Outras Palavras
As derrotas são mais profundas e mais prolongadas quando se confundem as causas que as produziram, se evitam as correções de rota e se adotam “saídas” que agravam os erros. O governo Lula e a esquerda viveram um desastre nas eleições brasileiras deste domingo (4/10). Ao contrário do que previam todas as pesquisas, o presidente terminou o primeiro turno 2,2 milhões de votos atrás de Flávio Bolsonaro — e, o que é mais significativo, 3,4 milhões abaixo do que recebeu há quatro anos, quando a máquina do Estado funcionava contra si e a favor de seu adversário. Sua votação decresceu em 98% dos municípios.
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