Comunidades Geraizeiras conquistam reconhecimento como comunidades tradicionais

Em meio à ampla diversidade das formas de vida em comunidades tradicionais no Brasil, núcleos de comunidades Geraizeiras, característica da região do cerrado do Norte de Minas Gerais, foram contemplados na tarde desta segunda-feira (17) com a “Certidão de Autodefinição”, cedido pela Comissão Estadual para o Desenvolvimento Sustentável de Povos e Comunidades Tradicionais de Minas Gerais (CEPCT-MG), na sede da EMATER, em Belo Horizonte

No MAB

Este certificado, designado aos povos geraizeiros divididos em três núcleos denominados Tingui, Lamarão e Josenopolis, reafirma a importância das práticas tradicionais, vínculos regionais e a luta por políticas públicas visando à recuperação de territórios e pela manutenção de seus modos de vida e efetivação dos seus direitos.

A luta dos povos tradicionais geraizeros, organizados no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), é histórica no Norte de Minas. Há quase meio século, diversos projetos de morte atingem a vida destas comunidades, que ocupam áreas de grotas e chapadas. Entre os principais estão a monocultura de eucalipto, a barragem da Usina de Irapé e o projeto de mineração de ferro da SAM e da MIBA.

Estes projetos, tidos como de desenvolvimento para a região dessas comunidades, provocam a exclusão social e a negação histórica ao direito de manter seu modo de vida tradicional em harmonia com o Cerrado. Em 2014, o Ministério Público Federal realizou um parecer técnico (nº90/2014/6ªCCR/Asper) reconhecendo a identidade e o modo de vida tradicional das comunidades geraizeiras que habitam nesta área há pelo menos sete gerações, há mais de um século e meio.

A luta das comunidades geraizeiras recebe apoio de diversos setores sociedade que acreditam na soberania dos povos. Entre eles a Comissão Pastoral da Terra (CPT) Maristas, Centro Agricultura Alternativa do Norte de Minas, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a articulação Quem Luta Educa e outros. “Devemos luta para manter a cultura e modo de vida tradicional geraizeiro, que se dá em um território específico. Combater os grandes projetos do Capital é fundamental para que siga vivo e forte esse modo de vida”, afirma Carine Guedes, militante do MAB.

Imagem: Reprodução do MAB

O movimento comemora a certificação das comunidades geraizeiras do Território Tradicional Geraizeiro. “Queremos retomar as áreas de chapadas -importantes para recarga d’água, solta do gado e produção de alimentos sem agrotóxicos -, além de sonharmos com a construção de projetos de desenvolvimento sustentável do Cerrado”, comenta Valdir Gouveia, geraizeiro e militante do MAB que esteve presente na cerimônia.

A certidão é um importante avanço no sentido da demarcação do território Geraizeiro, que dá a garantia de que essa população será de fato proprietária coletiva do território em que vivem e do qual usufruem, e hoje é atacado pela grilagem para plantação de eucalipto, pelas mineradoras e outros que violam o território e os direitos do povo.

Imagem: Reprodução do MAB.

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