Onde (também) mora a angústia urbana

Um medo paira sobre milhões de famílias brasileiras: o despejo. Significa, além de perder o lar, também redes de apoio e vínculos afetos. O impacto é brutal sobre a saúde mental. Novo desafio se impõe: aliar políticas habitacionais e bem-estar psíquico

Por Neiva de Souza Daniel, em Outras Palavras

A relação entre saúde mental e moradia é direta, especialmente quando observada sob a perspectiva da determinação social da saúde. No Brasil, essa relação é observada com muita força nas ocupações, assentamentos e favelas. Nesses contextos, a falta de moradia digna e o risco constante de desocupação ou despejo acabam atravessando o cotidiano e impactando a saúde mental de forma muito concreta (Rosa; Coelho; Tchalekian, 2025; Vieira et al., 2025). 

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Cidade e Saúde, um diálogo inadiável

Por que a reforma urbana pouco avançou, enquanto a criação do SUS mostrou-se uma experiência exitosa? Como construir um diálogo robusto entre urbanismo e saúde coletiva? Outras Palavras e BrCidades promoveram um debate crucial para o futuro do Brasil

Por Rôney Rodrigues e Aline Holanda, em Outras Palavras

O que a fila de uma unidade de saúde tem a ver com o preço dos aluguéis? De que forma a falta de saneamento básico pode aparecer anos depois como uma fila no hospital? Como a especulação imobiliária redefine não só onde se vive, mas também quanto se vive? Qual é a relação entre uma crise de ansiedade e o tempo gasto no transporte público? O que a precariedade da moradia tem a ver com surtos de doenças respiratórias? Embora costumem ser tratadas como questões distintas, saúde e cidade se cruzam muito antes da porta do consultório. A forma como moramos, nos deslocamos e acessamos os espaços urbanos ajuda a definir quem adoece, quem se cuida e quem tem direito a uma vida digna. 

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Pochmann: Os desafios da “nova geografia” brasileira

Nas últimas duas décadas, país realizou uma das maiores expansões de sua rede pública de educação profissional, científica e tecnológica. Há condições de romper desigualdades territoriais históricas. Mas, sem um projeto nacional, também o risco de novas formas de dependência

Por Marcio Pochmann, em Outras Palavras

O Brasil vive uma transição histórica comparável à iniciada na década de 1930. Naquela oportunidade, o país começou a superar a antiga e longeva condição agrária e exportadora para construir uma nova sociedade urbana e industrial.

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Thomas Piketty vislumbra o pós-capitalismo

Relatório coordenado pelo economista sugere: é possível eliminar pobreza, reduzir jornadas de trabalho à metade e frear o aquecimento global. Pré-requisitos: ataque frontal à desigualdade e transformação política e econômica. Quais os caminhos?

Thomas Piketty, Anmol Somanchi e Gastón Nievas em entrevista a Thiago Gama, em Outras Palavras

Só as lutas sociais podem produzir transformações nas estruturas de poder e de riqueza, sugere a História – mas onde está a centelha capaz de mobilizar as sociedades para tanto? Numa época cm que a ordem capitalista está em crise, mas o vaticínio de Margaret Thatcher (“Não há alternativas”), ainda insuperado, produz angústia e desencanto, vale atentar para um trabalho lançado neste fim de semana pelo Laboratório Mundial das Desigualdades, liderado pelo economista francês Thomas Piketty.

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No desaguar das águas sagradas, Cerrado e Pantanal confluem caminhos de resistência

Em sete intercâmbios por nove comunidades e territórios originários, tradicionais e camponeses do Pantanal, povos fortalecem a rede tecida em defesa da natureza e modos de (re)existir; programação da Romaria reuniu povos dos nove estados que integram os biomas

Por Júlia Barbosa, João Palhares, Ludimila Carvalho, Maria Ronilda, Ronilson Monteiro, Alciléia Torres e Fátima Tertuliano*, em CPT 

Nós somos quilombolas, povos tradicionais
posseiros, camponeses, dos campos e gerais
viemos das aldeias, das várias etnias
aqui nos reunimos nesta Romaria…

Hino da Romaria do Cerrado e Pantanal – Antônio Baiano


Inspirada pelo lema “No Cerrado e Pantanal, correm os segredos sagrados das águas”, a II Romaria Nacional do Cerrado e I Romaria do Pantanal aconteceu entre os dias 03 e 06 de junho. Caravanas de romeiras e romeiros do Maranhão, Tocantins, Piauí, Rondônia, Mato Grosso, Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás cruzaram as estradas do Brasil para um encontro histórico entre os povos do Cerrado e do Pantanal, sendo acolhidas no solo pantaneiro de Corumbá, no Mato Grosso do Sul.

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Trump enquadra CV e PCC para chantagear por minérios da Amazônia

Em entrevista à Amazônia Real, o pesquisador Aiala Couto, especialista em atuação do narcotráfico em territórios indígenas e quilombolas, afirma que o governo norte-americano visa impor estratégia política e econômica por meio de intimidação, além de interferir nas eleições do País

Por Elaíze Farias, da Amazônia Real

Manaus (AM) – O enquadramento do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelo governo norte-americano entrou em vigor na sexta-feira (5). As duas facções sediadas no Brasil passam a fazer parte de uma lista unilateral dos Estados Unidos composta por Hamas, Hezbollah e Al Qaeda, além de cartéis latino-americanos, como Tren de Aragua, da Venezuela, e Sinaloa, do México. A medida, que repete estratégias de sanções econômicas e pressões políticas adotadas mais radicalmente na Venezuela, abre caminho para uma potencial interferência nos interesses soberanos do Brasil.

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Carta política do 3º Simpósio Brasileiro de Saúde e Ambiente (SIBSA)

A mobilização para as eleições de 2026 é parte fundamental para enfrentamento desse pacto nefasto, a ameaça fascista e para retomar os direitos sociais e humanos já conquistados pela população brasileira e avançar na justiça socioambiental.

O 3º Simpósio Brasileiro de Saúde e Ambiente (3º SIBSA), reunido em Cuiabá, Mato Grosso, entre 27 e 29 de maio de 2026, teve como tema central “A luta da Saúde Coletiva frente ao colapso ecológico: soberania, justiça e conhecimento para a transformação”. A escolha de Cuiabá não é acidental: Mato Grosso abriga três dos seis biomas brasileiros, Amazônia, Cerrado e Pantanal, e condensa, em seu território, as contradições mais agudas do modelo hegemônico de desenvolvimento, marcado por conflitos fundiários, práticas laborais predatórias e lutas territoriais de seus povos. O evento reuniu 619 participantes entre pesquisadoras/es, profissionais de saúde, estudantes, com forte representação de lideranças comunitárias, indígenas, quilombolas, ciganos, camponeses, das águas, das florestas e das cidades, reafirmando o compromisso da Abrasco com o diálogo entre saberes acadêmicos, populares e ancestrais como prática científica e política. Os participantes oriundos dos movimentos sociais corresponderam a 36% do total, demonstrando que foi atingido um de seus objetivos, abrir mais espaço para a diversidade cultural dos territórios e de suas demandas.

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Caso Bruno e Dom: Justiça Federal acolhe pedido do MPF e leva ‘Colômbia’ a júri popular

Decisão encerra a primeira etapa do rito do júri; após os prazos para recursos, a segunda fase será iniciada e será definida uma data para o julgamento

Procuradoria da República no Amazonas

A Justiça Federal aceitou o pedido do Ministério Público Federal (MPF) e pronunciou Rubens Villar Coelho, conhecido como ‘Colômbia’, para ser julgado por júri popular. Ele foi denunciado pelo MPF como o mandante dos homicídios do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, ocorridos em junho de 2022, na região do Vale do Javari, no Amazonas. A decisão de pronúncia atendeu integralmente ao pedido do MPF, que denunciou o réu por duplo homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

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Território quilombola Engenho da Cruz é identificado em Cachoeira (BA)

No Incra

O território quilombola do Engenho da Cruz – situado no município de Cachoeira, na região do Recôncavo da Bahia –, teve o edital do seu Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) publicado no Diário Oficial da União (DOU), em 2 de junho de 2026.

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MPF entra com ação para que Hospital Albert Einstein (SP) implemente política de cotas na residência médica

Instituição tem desrespeitado diretrizes do Ministério da Saúde apesar de atuar no SUS e receber benefícios fiscais

Procuradoria da República em São Paulo

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com ação civil pública para que o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, implemente a política de cotas em seus programas de residência médica. Os pedidos incluem a abertura de editais complementares no atual processo seletivo de 2026, com a destinação de vagas para candidatos com deficiência, negros, indígenas, quilombolas e pessoas trans, conforme os percentuais definidos pelas normas vigentes.

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